Por Esmeralda Canazart, supervisora de Marketing da Saudali.
Vivemos um dos períodos de maior transformação tecnológica das últimas décadas. A inteligência artificial passou a fazer parte da rotina das empresas, automatizando processos, analisando grandes volumes de dados, apoiando decisões e mudando a maneira como marcas e consumidores se relacionam. É um movimento sem volta e que abre inúmeras possibilidades. Mas, justamente quando a tecnologia se torna cada vez mais presente, um elemento ganha ainda mais valor: o humano.
No marketing, essa reflexão é especialmente importante. Hoje, temos ferramentas capazes de identificar comportamentos, prever tendências, personalizar conteúdos e tornar estratégias mais eficientes. Por trás de cada número existe alguém com histórias, memórias, preferências e emoções que não podem ser compreendidas apenas por algoritmos.
É nesse contexto que proximidade, escuta e capacidade de criar conexões genuínas se tornam diferenciais competitivos. O consumidor não deseja apenas adquirir um produto. Ele também se relaciona com aquilo que uma marca representa, com a experiência que ela proporciona e com a maneira como participa de momentos da sua vida. Recentemente, tivemos na Saudali uma experiência que materializou essa percepção. Em uma ação realizada em parceria com a Azul, por ocasião do Dia da Gastronomia Mineira, levamos a Pururuca Saudali a passageiros de 106 voos com destino a Belo Horizonte. A iniciativa foi pensada para alcançar aproximadamente 15 mil pessoas vindas do Rio de Janeiro, Recife e Salvador.
Mais do que uma ação de sampling, buscamos criar uma experiência. Antes mesmo de desembarcarem em Minas Gerais, os passageiros tiveram contato com um sabor associado à nossa cultura e à nossa identidade gastronômica. Um produto tornou-se, naquele momento, uma forma de acolhimento e de conexão com o destino. É justamente aí que está a força do marketing feito para pessoas: compreender que uma marca pode ocupar espaços afetivos e construir vínculos que ultrapassam uma relação puramente comercial.
Isso não significa abrir mão da tecnologia. Pelo contrário. Inteligência artificial, automação e análise de dados são recursos fundamentais para empresas que desejam permanecer competitivas. O desafio está em utilizá-los para potencializar a capacidade humana, e não para tornar as relações impessoais. A tecnologia pode ajudar a entender quando, onde e como conversar com o consumidor. Mas sensibilidade, criatividade e empatia continuam essenciais para definir o que vale a pena dizer e, principalmente, como fazer alguém se sentir.
O futuro do marketing, portanto, talvez não esteja em escolher entre tecnologia e pessoas. Está na capacidade de combinar as duas dimensões. Empresas que souberem utilizar a inteligência artificial para ganhar eficiência, sem perder a escuta, a proximidade e a autenticidade, terão melhores condições de construir relações duradouras.